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Mostrando postagens de novembro 8, 2025

O avião das 09h:

O avião das nove riscou o céu do sertão, como se fosse um sonho escrito em luz. De cá, fiquei só de pé, no chão  olhando o sol nascer por trás da cruz. Leva no ventre um punhado de gente, cada um com seu rumo, sua fé, seu talvez. Uns fogem da fome, outros da mente, outros só buscam o que nunca se fez. Nunca entrei num avião confesso. O vento me basta, a terra me entende. Já viajei sem mapa e sem endereço, pelos caminhos que o tempo acende. São Paulo, dizem, é cidade que engole, de tanto brilho e tanta pressa. Mas o sertão, mesmo quando dói, consola é dor bonita, é luta e promessa. O avião das nove leva esperança, leva o amor de um povo inteiro. Lá vai o sonho, lá vai a mudança, lá vai o futuro num céu estrangeiro. A mulher na janela enxuga o rosto, com o mesmo pano que cobre o pão. E pensa será que ele chega disposto? Ou volta cansado da ilusão? O menino corre e aponta o dedo Olha, mãe, o passarão de ferro! E o pai responde, num tom de segredo Quem sabe um dia, filho, eu espero. O ...