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Mostrando postagens de novembro 26, 2025

Poema- Canção da mata

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Por entre as veredas longas onde o vento se deita, ergue-se o dia lento, qual velho camponês curvado, e a terra, vermelha e viva, abre o peito ressequido para acolher o suor do homem que nela põe seu fado. Nas brenhas que o sol coroa, canta o sabiá sereno as folhas, de tão antigas, guardam segredos do tempo, e o rio, que nunca apressa, leva em suas águas mansas as dores de quem labuta e o amor de quem é atento. Eu, filho destes sertões, que o mato abraça e consome, carrego o peso da enxada como quem carrega o nome. Mas quando a tarde desmaia num tom de ouro e púrpura, meu peito se firma e canta — pois é em ti que a alma pulsa. Ó minha doce senhora, flor que Deus plantou na sombra, teu olhar é brisa leve sobre o rosto de quem sofre; e teu riso, fonte clara onde até a saudade dorme, é consolo para o homem que vive entre céu e os rochedos. Aqui, onde o chumbo das nuvens ameaça as madrugadas e o trovão, senhor antigo, açoita o rancho de barro, amo-te com força brava, tal qual o vento das m...