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versos do infinito

Poema- Canção da mata

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Por entre as veredas longas onde o vento se deita, ergue-se o dia lento, qual velho camponês curvado, e a terra, vermelha e viva, abre o peito ressequido para acolher o suor do homem que nela põe seu fado. Nas brenhas que o sol coroa, canta o sabiá sereno as folhas, de tão antigas, guardam segredos do tempo, e o rio, que nunca apressa, leva em suas águas mansas as dores de quem labuta e o amor de quem é atento. Eu, filho destes sertões, que o mato abraça e consome, carrego o peso da enxada como quem carrega o nome. Mas quando a tarde desmaia num tom de ouro e púrpura, meu peito se firma e canta — pois é em ti que a alma pulsa. Ó minha doce senhora, flor que Deus plantou na sombra, teu olhar é brisa leve sobre o rosto de quem sofre; e teu riso, fonte clara onde até a saudade dorme, é consolo para o homem que vive entre céu e os rochedos. Aqui, onde o chumbo das nuvens ameaça as madrugadas e o trovão, senhor antigo, açoita o rancho de barro, amo-te com força brava, tal qual o vento das m...

O avião das 09h:

O avião das nove riscou o céu do sertão, como se fosse um sonho escrito em luz. De cá, fiquei só de pé, no chão  olhando o sol nascer por trás da cruz. Leva no ventre um punhado de gente, cada um com seu rumo, sua fé, seu talvez. Uns fogem da fome, outros da mente, outros só buscam o que nunca se fez. Nunca entrei num avião confesso. O vento me basta, a terra me entende. Já viajei sem mapa e sem endereço, pelos caminhos que o tempo acende. São Paulo, dizem, é cidade que engole, de tanto brilho e tanta pressa. Mas o sertão, mesmo quando dói, consola é dor bonita, é luta e promessa. O avião das nove leva esperança, leva o amor de um povo inteiro. Lá vai o sonho, lá vai a mudança, lá vai o futuro num céu estrangeiro. A mulher na janela enxuga o rosto, com o mesmo pano que cobre o pão. E pensa será que ele chega disposto? Ou volta cansado da ilusão? O menino corre e aponta o dedo Olha, mãe, o passarão de ferro! E o pai responde, num tom de segredo Quem sabe um dia, filho, eu espero. O ...

quando o céu abrir

Chove... e é como se o mundo soluçasse comigo, as gotas descendo lentas, feito lembranças do teu olhar. O vento passa e leva o resto da minha voz, como se quisesse te chamar lá onde o tempo não pode voltar. O trovão geme dentro do peito, e o relâmpago rasga o céu igual tua partida  um clarão, um fim, um vazio… e depois, o silêncio da vida. O rio corre, e nas águas eu te vejo dançar, tuas mãos leves, teu riso que se perdeu nas margens da saudade. Ah, se eu pudesse remar contra as horas, voltaria ao instante em que foste eternidade. O sol tenta nascer, mas se esconde atrás da montanha, com medo de ver-me tão só, tão quebrado. Até as flores fecharam suas pétalas pra não ver o amor sendo sepultado. A lua, coitada, assiste à minha confissão noturna, pálida como minha esperança que se desfaz. E as estrelas, cúmplices do impossível, me ouvem dizer que ainda te amo e nada mais. Ah, mulher que o tempo levou e a alma ficou esperando, teu nome é uma tempestade que não passa… Eu sigo amando-te...
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  A Independência Esquecida: o 20 de Setembro que não Conservamos O Brasil gosta de viver de símbolos, mas não de tradições. Celebramos o 7 de setembro como se fosse a data de nossa independência, quando, na verdade, não passou de um grito, uma cena simbólica às margens do Ipiranga. A verdadeira independência , a que teve força política, reconhecimento e legitimidade, aconteceu em 20 de setembro de 1822 . E, no entanto, o povo não sabe — ou prefere não saber. Esse esquecimento revela o quanto não somos um povo conservador. O conservador preserva a memória, valoriza a verdade histórica, mantém viva a tradição. Mas nós, brasileiros, preferimos o mito fácil à realidade complexa. Preferimos a pintura romântica de Pedro Américo ao documento oficial de Dom Pedro. Se fôssemos conservadores de fato, a monarquia ainda estaria entre nós. Se fôssemos conservadores de fato, a família seria tratada como núcleo inquebrável da sociedade. Se fôssemos conservadores de fato, não deixaríamos n...

o manisfesto reflexivo

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Quem ignora o conhecimento ignora Deus Adailson P. Sales A história da humanidade sempre mostrou que os povos que abandonam o conhecimento tornam-se escravos de ideologias. Desde a Grécia Antiga, Sócrates já alertava que a ignorância é o maior mal que pode existir em uma sociedade. A matemática, com sua precisão e lógica, nos ensina que uma pequena falha em um cálculo pode comprometer todo o resultado. Da mesma forma, quando o povo aceita viver sem buscar a verdade, todo o corpo social se corrompe. A ciência demonstra que nada no universo é aleatório: tudo possui ordem, leis e equilíbrio. Ignorar o conhecimento é, portanto, fechar os olhos para essa ordem e negar a própria existência de Deus, que se manifesta no raciocínio, na lógica e na sabedoria. O Iluminismo, que abriu as portas para a modernidade, nasceu justamente da luta contra as trevas da ignorância. Hoje, muitos se dizem “estudados”, mas se alimentam de ideologias rasas que não passam pelo crivo da razão. Confundem militância...
Quem é Adailson Pereira Sales? Adailson Pereira Sales é um jovem escritor e poeta nordestino, criador do blog Versos do Infinito , onde compartilha textos autorais que misturam poesia, crítica social, espiritualidade e reflexão. Com um estilo sensível e profundo, Adailson busca tocar o coração do leitor com palavras que falam do cotidiano, das dores invisíveis, da fé e da beleza escondida no silêncio. Seus poemas carregam lirismo, pensamento e verdade. Nascido na cidade de Caxias, Maranhão , e atualmente morador do interior de Cadeias , município de São João do Sóter (MA) , Adailson já escreveu mais de 80 poemas à mão. Ele acredita no poder da escrita como forma de cura, acolhimento e transformação. Suas inspirações vêm da vida simples, da fé em Deus, dos sentimentos verdadeiros e das lutas que presenciou nas margens da cidade. Seus versos são abrigo para quem sente demais e não sabe como dizer. Seu trabalho pode ser encontrado também nas redes sociais, onde compartilha trec...

O labirinto

Entre o labirinto de aço e o véu de madrugada, Nos trilhos de prata onde o tempo se esconde, Camina a sombra de um desejo velado, Num diálogo silencioso que o destino responde.Em cada curva da jornada, um enigma sussurra, No balé dos mundos que se entrelaçam em segredo. A alma viaja em duas cadeiras, um mistério de passos, Onde o coração é um viajante, oculto em seu enredo.Os olhares são constelações em um céu enredado, Desenhando constelações que ninguém vê. Há um murmúrio de paixão em cada parada, Mas o amor é uma sombra que não se deixa prender.A jornada é um enigma, entre sombra e luz, Nos corredores de um ônibus que sussurra segredos. Onde o desejo se oculta nas entrelinhas da amizade, E o verdadeiro amor dança em passos bem mais discretos.

Poema- O mar de correntes

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Todos admiram o preto no palco, mas poucos suportam ver a pele preta na rua. Apreciam a força, o ritmo, o talento, mas rejeitam a verdade que a pele carrega. Colocaram correntes em quem já tinha asas. Roubaram nomes, apagaram línguas, silenciaram os deuses. E ainda disseram que estavam “civilizando”. Não eram escravos. Eram reis, rainhas. Guardiões do saber antes que o mapa tivesse contornos. Hoje dizem Foi no passado. Mas o passado nunca partiu. Apenas aprendeu a se disfarçar. Veste farda, veste terno e veste silêncio. O chicote virou estatística. A senzala virou periferia. O navio negreiro virou sistema. E a escravidão, oportunidade negada. O corpo negro é confundido com perigo. A palavra negra ainda vale menos. O sangue preto seca antes de escorrer nas manchetes. A história negra foi editada com tesoura branca. A mulher negra? Foi usada. Depois esquecida. Mas carrega nos ombros os filhos do mundo e ainda sorri com dignidade que o mundo não reconhece. Quem defende meritocracia nunca ...

Poema- ela é o segredo.

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Quando Deus quis mostrar o que é amor, Ele não escreveu um livro, não pintou um céu, nem acendeu uma estrela. Ele pegou uma lágrima e uma centelha da própria alma... e moldou a mulher. Ela não veio do pó da estrada. Veio do lado — da costela. Porque Deus não queria que ela fosse menor, nem maior, mas feita para andar com o homem, lado a lado, na vida, na dor, na aquarela. O homem foi feito para o campo, para a lida, para a força. Mas a mulher... ah, a mulher foi feita para o céu. Para gerar esperança, curar feridas, multiplicar o que é bom e calar o que é cruel. Ela escuta com o coração. Chora com os olhos da alma. Ela sangra em silêncio, mas ainda assim canta. Ainda assim ora. Ainda assim acalma. Ela tem o dom que só Deus tinha: criar vidas dentro de si. E enquanto o mundo gira sem rumo, ela planta o futuro — mesmo quando está por um fio. Ela é a que educa, sustenta e resiste. É a mãe sozinha na periferia, a mulher do campo com mãos calejadas, a preta guerreira ignorada, a menina que ...

Teu corpo, meu destino.

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  Te quero agora, sem relógio, sem tempo, sem medo, sem dúvida, sem freio... Te quero inteira, quente e entregue, como o sol deseja o mar ao fim do dia. Teus lábios são fogo que acende meu peito, teu cheiro, meu vício, minha perdição. Teu gemido é música que guia meus passos, e teu corpo... a estrada onde me perco sem volta. Cada curva tua é um segredo que desvendo, com a ponta dos dedos, com a sede da boca, e a cada suspiro que roubo de ti, mais eu sei... és meu tudo, minha louca. Me deixa te amar sem medidas, sem pressa, faz de mim tua casa, abrigo, teu céu, te quero em suspiros, gritos e sussurros, teu corpo no meu, um poema cruel. Cruel porque nos devoramos, porque não há amanhã, só agora, porque cada toque é fogo na pele, e cada beijo é promessa que implora. Te amar não é escolha, é destino, é desejo que me queima sem fim. E se o amor tem nome, tem rosto, tem pele... ele mora em ti. Te quero sem pressa, sem medo, sem fim, como se amar-te fosse a única verdade em mim. Teu corpo...

Poema- O anjo dourado.

Parece abrigo… Mas era só teto. Parece abraço… Mas era só pele com pressa. Parece amor… Mas era só a fome de não morrer sozinho. O mundo dança bêbado no salão da pressa. E há olhos cansados, Que esqueceram como se brilha. Choram flores nos quintais de concreto. A ferrugem já invadiu os beijos. E há quem diga que isso é normal… Mas em algum canto  Onde as janelas tremem sem vento  Um antigo viajante das alturas Sussurra fórmulas de esquecimento. Não diga o nome dele. Ele adora ser lembrado. Conhecido por muitos nomes, Tem horror a um só: amor. Ele é o primeiro órfão do Céu. O que cantava entre os astros… E caiu por desejar tronos. Hoje, caminha em becos que parecem avenidas. Oferece atalhos disfarçados de liberdade. E sopra dúvidas nas casas onde o silêncio deveria ser paz. Ele não destrói. Ele desacredita. Não grita. Ele desgasta. Oferece espelhos. Diz: Veja como você merece mais. Veja como ela mudou. Veja como o vizinho sorri mais que seu marido. Ele não separa com guerras. E...

Poema - País fantasmático.

Não sei mais se estou em mim Ou se fui vendido em algum discurso bonito Desses que prometem o céu E entregam um cinzeiro vazio. A praça virou palanque Mas ninguém ouve quando o povo grita Só ouvem o que querem… E dizem que é "pela causa" — como se a causa fosse santa. Me disseram que tudo ia mudar Que o vermelho era amor, igualdade, futuro. Mas o pão ficou mais caro, E o vizinho sumiu do bairro — foi morar na rua. Gritam contra o ódio com ódio nos olhos, Se dizem libertadores, mas só libertam os deles. Decretam quem pode falar, E nos chamam de fascistas por querer pensar. O poeta foi calado por um algoritmo, O agricultor virou vilão por plantar demais, O pai de família virou burguês opressor Por querer dar leite para os filhos — sem rótulo de governo. E eu aqui… Tentando me encontrar em um país que parece não se lembrar de mim, Que celebra bandeiras que nunca tremularam por nós, E pinta de arte o que é só escuridão. Gosto de São Paulo, de São João, Dos santos de pedra e do po...

Entre a Terra e o mar.

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Fui convidado para conhecer a terra do reggae, e então chorei ao ver a dura realidade, onde Gonçalves Dias sonhou com a liberdade, mas a tristeza se esconde em cada esquina o que dirá da minha princesa do sertão, onde nasci, hoje perdida em solidão. Sem autoridades que tragam amor, só sofrimento, um grito sem valor. crianças indo para as escolas em pau de arara, outras indo a pé, pegando poeira na estrada. Por que tanto sofrimento? A vida tão cara, flores que brotam em solo de dor e jornada. As casas de palha, as paredes de barro, reflexo de uma vida em meio ao desamparo. Na terra do bumba meu boi, onde o ritmo ecoa, mas a dor da miséria é que verdadeiramente ressoa. Caminhando com olhares que falam de dor, escolas em ruínas, sem amor nem valor. Futuro incerto, sonhos esmagados, Um grito silencioso em corações cansados. Olhei para aquela criança com olhos de mar, “Estou com muita fome”, me disse em súplica. O coração apertado não soube como agir, um clamor que ecoa e nunca se explica. ...

Beijos, abraços e o teu cheiro.

Nos teus olhos encontro o brilho das estrelas, No teu sorriso, a doçura de mil primaveras. Teu toque suave acalma minha alma inquieta, Em teus braços encontro paz completa. Teu amor é a melodia da minha canção, É a poesia que inspira meu coração. Caminho ao teu lado, de mãos dadas, Navegando os mares de emoções encantadas. És a luz que ilumina meus dias sombrios, A musa que inspira meus versos vadios. Em cada gesto, em cada olhar, percebo, Que és o amor que tanto esperava e desejo. Que esse amor seja eterno como o tempo, E que a felicidade seja nosso alimento. Porque ao teu lado, descubro a verdadeira emoção, E assim, juntos, construímos nossa própria canção. https://blogversosdoinfinito.blogspot.com/?m=1

Poema- O Paradoxo

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Se eu te amo? Sim. Mas o amor não é essa flor que se dá. É a terra que a engole quando murcha. É a mão que cava mesmo sem saber plantar. Vamos casar? Talvez. Mas antes, te convido à prova de fogo: amar quando não houver música, quando as vozes forem ausências, e o outro parecer um estranho usando tua camisa. Vamos ter filhos? Quem sabe. Mas primeiro, me diz tu és capaz de amar alguém que te fará espelho? Que vai te repetir os defeitos com olhos pequenos e perguntas grandes? Antes de fazer um berço, faremos um acordo não criar filhos para curar vazios. Nem criar um cachorro para evitar conversas. Nem um ao outro como projeto de salvação. A prova de fogo não é a dor. É o tédio. É lavar louça às 23h em silêncio. É discordar e mesmo assim comprar teu chocolate preferido. É o segundo depois da discussão  quando se pensa em ir embora, mas o corpo fica porque o amor não terminou, só cansou. Vamos morar juntos? Sim, mas num lugar onde caibam as tuas vontades e as minhas dúvidas. E as visit...

#cadernetadospoemas- Apoesia real que nasce da alma.

Eu sou Adailson, e escrevo versos como quem sopra verdades. A #cardenetadospoemas nasceu do meu jeito simples de viver e de escrever: sem luxo, sem mentira, sem maquiagem. É a poesia do mato, da dor, da fé, da alma. Cada verso que eu publico com essa hashtag vem de um lugar profundo. Agora, essa caderneta é aberta ao mundo. E você pode acompanhar os poemas aqui, no meu blog e nas redes sociais. 👉 Sempre que ler #cardenetadospoemas, lembre: é um pedaço de mim. #cadernetadospoemas

Poema- O manifesto autista.

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No mundo que vê só o que quer enxergar, rótulos espalhados, fáceis de colar. Todo menino é autista, só quer chamar atenção” Mas cala o grito preso no peito, a angústia da solidão. Na sala, cadeiras vazias, olhares que não entendem Palavras cortam feito lâmina, onde só o silêncio responde. Pais que choram escondidos, lutando sem pausa Famílias em guerra, no mar da falsa causa. Autismo não é modinha, nem culpa, nem escolha, É tempestade no cérebro, é mente que se recolha. Mas o mundo finge, ignora, quer só lucrar, Com diagnósticos baratos, com esperança a falhar. Clínicas vendem sonhos, promessas de normalidade, Mas no fundo é exploração, dilacerando a verdade. E o autista que sofre, com medo, se esconde, Na máscara do sorriso, a dor que responde. O professor sem rumo, perdido na missão, Sem preparo, sem apoio, só sobra a solidão. E o sistema burocrático, cego, insensível, Trava portas, fecha janelas, torna tudo impossível. Mas há uma voz que insiste, que não se cala, É a voz do autista,...

Adailson Pereira Sales

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Estrela Morena.

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Nos céus da noite, brilha uma estrela, morena, intensa, de luz tão bela. Seu riso é chama, ardente e pura, voz que embala, doce e segura. Seu caminhar, um vento leve, que sopra sonhos, que tudo escreve. Seus olhos brilham, são faróis, guiando mundos, rompendo sóis. Na tempestade da intolerância, ela caminha com esperança. Mesmo que sombras tentem calar, sua luz segue a iluminar. Oh, ventos tristes, calem-se agora! Nada apaga quem brilha e aflora. Feita de luta, feita de cor, é resistência, é puro amor. Se soubesse o que ela inspira, se entendesse o que ela ensina... Oh, estrela que o céu guarda em si, Se um dia ouvir, sorria pra mim.  Morena, brilhante, impossível de olhar. Seu riso acende o céu mais nublado, sua voz é um vento que vem me embalar. Eu, perdido no tempo e no espaço, morando no nada, cercado de chão… Mas quando ela fala, o mundo se cala, e eu me esqueço da minha prisão. Ah, se ela soubesse o que causa em mim, se um dia notasse meu jeito de olhar… Talvez entenderia que...
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POEMA-O SOL QUE NÃO NASCE- DE ADAILSON PEREIRA SALES

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7 de setembro, bandeira no céu. Mas nossa independência É só papel. Foi grito, foi pose, foi teatro, foi cena. O povo aplaudia mas a dívida já nascia. Do Ipiranga à City de Londres o grito virou contrato e o contrato virou corrente  corrente invisível elegante, porém permanente. Paga aqui, refinancia lá juros sobe, esperança cai o nome é bonito soberania Nacional. Mas no extrato. Dependência Global. Diziam Somos livres, somos bravos, somos gigantes. Mentira elegante! Escravos modernos, pagadores constantes. Dois milhões de libras e um século inteiro de promessas quebradas de um lado a coroa caía. Do outro, o povo segurava as algemas douradas. Se fosse hoje? Dois bilhões quem se importa? O problema não é o preço. É o ciclo. É a porta que nunca se fecha, é a dívida que nunca morre O banco não te mata ele te deixa vivo Pra pagar. Independência ou morte!  gritou Dom Pedro. E a Inglaterra respondeu assine aqui, parceiro. Enquanto o povo gritava o banqueiro calculava. Enquanto a cri...

Mapa do infinito.

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E se algum dia te chamarem de confusão Lembra que há ordem nas estrelas também e que eu, mesmo em silêncio, gritei teu nome bem baixinho, só pra ninguém ouvir mas pra você saber que eu tô aqui quantas luas dormem dentro de um olhar? Quantos segredos cabem num respirar? Você é a pergunta sem resposta que me fez parar de buscar Já não me importa se o mundo não vê ás vezes, o que eu sinto, ninguém vai dizer mas eu sei que você sabe, quase sem querer que eu sinto o mesmo que você tenho andado com os olhos nos detalhes e a alma aberta pra tentar te decifrar você corre como quem busca abrigo num mundo que vive a te julgar falam demais, olham de menos querem consertar o que nasceu perfeito mas eu só vejo estrelas em movimento num céu que ninguém teve o direito e se ninguém entende o que você sente talvez seja porque não sabem sentir mas eu aprendi a escutar o silêncio e ali dentro você começou a existir você não é problema, é poesia fora do compasso um som que só os puros conseguem ouvir ...

Poema- Neblina.

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 Quando a luz apagava no quarto e o vento fazia barulho na janela a gente jurava que tinha um monstro no canto, até ouvir a voz da mãe Tá tudo bem, eu tô aqui. Ela sentava na beira da cama fazia carinho no cabelo e de repente o medo virava sono e o sono virava sonho de um lugar onde tudo era seguro. Teve aquele dia lembra? O pai levou a gente pra ver o mar ou uma cachoeira ou só uma praça cheia de pombos. E a gente pensou Como pode o mundo ser tão bonito assim? Teve o primeiro tombo de bicicleta o joelho ralado e o mundo desabando mas depois veio o sorvete e aquele abraço que curava tudo. Teve a primeira professora com cheiro de giz e perfume doce que ensinava a escrever o nome como se estivesse nos dando o mapa da nossa própria existência. Teve o primeiro beijo meio torto, meio tímido coração acelerado como se o universo inteiro tivesse parado pra assistir. E teve gente que se foi. A vó que fazia café com cheiro de lar o tio engraçado que sumiu da mesa o amigo de infância que viro...

Eterna em Mim.

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És a canção que o vento sussurra, a estrela que brilha no céu sem fim. Se o tempo ousar levar teu perfume, que leve-me junto, mas nunca a ti. Teu olhar é sol que aquece meu peito, teu riso, poema que o mundo escreveu. Se a vida é um quadro de cores incertas, és a tinta que Deus escolheu. Nas curvas do vento dançam teus cabelos, e eu me perco sem querer me encontrar. És a lua que embriaga meus sonhos, a brisa que insiste em me abraçar. Se o destino é mistério, que seja contigo, pois minha sorte tem nome e é o teu. E se algum dia eu deixar de te amar, foi porque o céu apagou-se e morreu. Se o tempo ousar roubar teu perfume, que leve-me junto, mas nunca a ti. Pois és a flor que enfeita meus dias, o verso mais lindo que já escrevi. Teu riso acende o sol na tormenta, teu olhar é abrigo em noite sem fim. Se o mundo é vasto e cheio de dúvidas, só uma certeza: tu és pra mim. Dança o vento entre teus cabelos, num balé que hipnotiza o ar. E se um dia a vida me faltar, que falte tudo, menos teu o...

Adailson P Sales

 

O espelho do mundo.

No campo onde o tempo cultiva o destino, Plantei meu suor em terra ferida. Mas há quem me veja de olhar pequenino, e jogue palavras sem causa ou medida. O vento sussurra em tom de conselho: "Não há maior fardo que a língua dos fracos." Quem aponta o erro, sem ver seu espelho, revela no fundo os próprios buracos. Puxei o macarrão, mas não o bastante, dizem de longe sem nada fazer. E enquanto me julgam de modo constante, O próprio telhado começa a ceder. Quem não vê valor no que é dedicação, cria muralhas de pedra e descaso. Mas sigo em frente, pois minha missão não é convencer quem vive no raso. Se o sol nasce livre, sem pedir licença, e a chuva não escolhe quem vai molhar, por que eu, que carrego o peso da crença, deveria parar só pra me justificar? O erro, dizem, está no vizinho, pois mais fácil apontar do que refletir. Mas sigo meu rumo, sem desatino, pois quem vê além aprende a sorrir. Que o tempo decida, que a vida revele, quem fez, quem tentou, quem apenas julgou. Pois n...

Seu coração é um livro que eu quero ler.

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 Sou outono em plena primavera, folhas caindo dentro de mim enquanto tento florescer. Resolvi mudar, deixei para trás tempestades que antes afogavam minha essência. Segui um novo caminho, um outro eu, mas só encontro ventos contrários. O tempo corre sem brechas, e eu, prisioneiro das horas, espero um instante em que a vida me cruze com quem desejo amar. Mas e se o destino for surdo aos meus anseios? E se as chances forem apenas ecos que se perdem no vazio? Cortei tantos papéis e os guardei em uma caixinha, mas joguei fora, esperando que o vento levasse alguns até ela. Creio que, algum dia, um deles chegará — nem que seja apenas um. E quando ela abrir e ler, verá que o grande amor da sua vida nunca esteve longe… Sempre esteve bem pertinho.

O pássaro que não pode voar.

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Eu sou um pássaro olhando o céu, querendo voar, mas sem poder. Minhas asas pedem liberdade, mas há correntes a me prender. Eu a vi no alto das montanhas, brilhando como a luz do sol. Sua voz, o vento suave, seu olhar, meu farol. Caminhamos juntos por estradas, sorrimos sob a mesma lua. Mas ela nunca foi só minha, pois seu destino era de outra rua. Mesmo sabendo que era errado, meu coração não quis parar. Batia forte a cada encontro, sem querer se libertar. Os dias passam, eu me perco, em ruas que me levam a ela. Cada canto desta cidade, guarda lembranças tão singelas. Mas sou um pássaro sem escolha, preso ao chão, sem direção. Queria voar até seus braços, mas esse voo é ilusão. O céu me chama, eu fecho os olhos, e em pensamento eu posso ir. Mas ao abrir, ainda estou preso, voando apenas dentro de mim.

O Éden

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Brasil, meu amor, minha razão, meu ser, És o pulsar que me guia a viver. No teu peito ecoa a força do vento, Nos teus rios, o amor é puro alimento. Teus céus são de um azul que não se apaga, Teu mar é um abraço que jamais se larga. Em tuas terras, o ouro nasce em cada flor, És vida, és fogo, és a nossa cor. Nos teus campos, o milho cresce como poesia, E o caju sussurra canções de harmonia. Teus montes são os braços que nos acolhem, Tu és mãe que nunca nos deixa, que nos envolve. Brasil, és a dança do povo no salão, És festa, és grito, és revolução. O samba é o coração que não se cala, E a bossa nova é a voz que sempre embala. Teus rios são caminhos de eternas jornadas, São o sangue que corre nas veias sagradas. Tu és a Amazônia, pulmão do planeta, E o sertão que em silêncio te completa. Oh, Brasil, tua alma é feita de mistérios, De lendas, de sonhos, de amores, de heróis. És o paraíso com as cores dos eternos ventos, Teu povo é fogo, é fogo que nunca se apaga. No teu abraço, cada canto...

Canção do desejo e do amor.

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Em ti repousa o encanto dos céus, És o pôr do sol em tons de mel. Cada traço teu desenha o infinito, Teu perfume é poema, teu riso é mito. Há em teus passos uma dança serena, Como o vento suave que o dia acena. És musa, és luz, és mistério profundo, A chave que abre os segredos do mundo. Teu corpo, escultura que Deus modelou, Tua alma, a chama que o tempo guardou. És fonte de vida, és riso e calor, És porto seguro, abrigo de amor. Quero ser teu refúgio, teu doce abrigo, Mergulhar no teu ser, ser mais que amigo. Decifrar teus mistérios com toque e paixão, Fazer do teu corpo minha oração. Deixa-me sussurrar o que guardo em meu peito, Te chamar para um mundo onde tudo é perfeito. Vem, entrega-te ao desejo que nos faz vibrar, Vamos fazer amor até o sol despertar. Não é só o prazer que me traz até ti, É o fogo da alma que nunca senti. É tua beleza que rouba meu ar, É tua presença que me faz sonhar. Teu cabelo é a seda que o vento acarinha, Teus olhos, estrelas que o céu adivinha. Cada curva...

Berço de espinhos.

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Eu prefiro ser o grito na rua, Do que o silêncio que tudo atura, Enquanto uma mãe chora esquecida, E a cidade dorme sem culpa, sem vida. Ela foi solo fértil, mas só semearam mentiras, Regaram promessas, colheram feridas, O amor jurado virou despedida, E agora ela anda sozinha, perdida. E o povo esquece, e o povo acredita, E a fome grita, mas ninguém liga. O lobo veste ouro, discursa, engana, Enquanto ovelhas se perdem na lama, Levanta a mão, promete fartura, Mas ri no banquete, deixando a rua. Cadê o hospital? Cadê a escola? Cadê o leite que falta na hora? Dizem que mãe é estrela divina, Mas deixam brilhar sozinha na esquina. O tempo avança, a barriga cresce, O medo aperta, a fome aquece, Seu filho não chora, ele clama, ele grita, Mas ecoa no nada, e a vida castiga. E o povo esquece, e o povo aplaude, E a dor grita, mas ninguém ouve. Se mãe é sagrada, por que está no chão? Se a dor tem voz, por que grita em vão? Se a justiça dorme, eu sou pesadelo, Se a verdade morre, eu rasgo o silênc...

Luz na saudade.

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Eu sei que a dor parece imensa agora, E o silêncio se fez forte no teu peito. Mas o amor que te rodeia nunca se vai, Ele é eterno, mesmo no momento mais estreito. Chorar é permitido, o coração sente, Mas lembre-se que há força em cada lágrima, em cada dor. Mesmo que o caminho pareça difícil e distante, A luz do amor estará sempre em ti, como um farol. E quem partiu, não se vai de verdade, Vive nas lembranças, no toque da saudade. Não é o fim, é só um recomeço, Onde o amor se transforma, mas não deixa de ser. Sei que o coração está ferido e cansado, Mas em cada passo, uma esperança escondida, E você, forte como nunca, vai se erguer, Pois dentro de ti, há um amor que nunca se perde.

Luz na saudade.

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Entre fogueiras e máscaras.

Quando junho desperta e a noite se acende, O céu se enfeita, o coração entende: É tempo de festa, de laços e dança, De fogueira ardendo, de riso e esperança. As ruas vestidas de cores vivazes, Bandeirolas no vento, traçando os enlaces. O cheiro da terra, do milho, da lenha, Da roça, da vida que o São João desenha. O milho estala na brasa quentinha, Tem cheiro de canjica, quentão e farinha. Tem bolo de fubá, pé de moleque, Paçoca e cocada que adoçam a gente. O mugido do gado, o cantar da rolinha, O toque da sanfona que embala a festinha. A zabumba ressoa, o triângulo avisa, O forró se espalha na alma indecisa. Na quadrilha ensaiada, há respeito e calor, Cada passo ensina o valor do amor. O noivo atrapalha, a noiva se encanta, O padre improvisa, a festa levanta. Tem grito de "Anarriê!" e "Olha a chuva!", Depois "É mentira!", a plateia se anima. Tem correio elegante e bilhete atento, Tem moça corada, tem juras ao vento. As crianças br...

Caminho infinito.

Aqui, onde os sonhos se encontram com o real, O caminho é de tijolos de esforço, cada passo essencial. Tu, que chegaste com um coração cheio de promessas, Agora trilhas uma jornada que te desvela em várias pressas. Na alma da faculdade, o saber não é apenas saber, É crescer, é se entender, é se aprender a viver. Não se trata de apenas conquistar notas ou saberes, Mas de se transformar, de encarar os próprios temores. O desafio é real, e as noites podem ser vazias, O cansaço, por vezes, rouba a beleza dos dias. Mas é justamente nesse momento, no silêncio da luta, Que surge o verdadeiro aprendizado, onde a força se ajusta. Aqui, mais que provas, mais que méritos, A tua jornada é um testemunho de resistência e de princípios. Cada dúvida que nasce, cada medo que te toca, São sementes que, com fé, germinarão na alma que brota. A faculdade não é um fim, mas um renascimento, Onde os próprios limites são só o começo de um movimento. Aqui, tu não apenas te preparas para o futuro que virá, Tu já...

O Sonhador.

A vida negrume e sem ternura sou irreal . me fez devanear sozinho procurando não errar demais.  Sem minha amásia, sou devotado impávido . Vou  desenlaçar a família carente.  E catequizar os da família que amaram o dinheiro e perderam o montante.  Uma mulher crioula sem apego e sem cerne . Fantasiada de beldade me fez cair e levantar vivo eu em devaneio eu sei o que é amar .  Mulher sem brandura não és tu a dona do meu coração mais aquela que tem juridicidade .

Além da ausência.

Meu aniversário  Não fui amado   e sim  odiado.  A grama  estava verde .  Cadê os meus amigos?  Estou sem dinheiro.  Sem eles aqui eu sinto dor ,  mais deve passar.  Estava morto de medo.  As lágrimas caem  igual folha seca .  O olhar vazio.  A festa acabou.  Os meu amigos  não vieram   Meu coração sangrou. Otimismo  leva ao poder, Pessimismo  à fraqueza. Terá uma  nova história  Para sua vida , é só acreditar nela. A vida é feita de ciclos, e um novo capítulo sempre pode começar. Acredite: sua história ainda está sendo escrita.

Comunismo-Brasil.

Em uma terra de sonhos e promessas de ouro, vivem os pobres, enganados por um encantador. Prometeram um mundo justo e de igualdade, mas o comunismo revelou sua crueldade. Líderes cruéis, com mãos de ferro e aço, trocaram a liberdade por um triste regresso. Stalin e Mao, com suas mãos manchadas, teceram um manto de dor e vidas apagadas. Campos de concentração e purgas sem fim, apenas um eco de um sonho que não tem fim. Milhares de vozes foram silenciadas, pelo fogo do regime, suas esperanças esmagadas. Karl Marx, o arquétipo do materialista, negou a fé, ao Deus, não deu pista. Seu livro era um mapa para o caos sem fim, e o que prometia igualdade, foi um trágico fim. O pobre acreditou no conto de igualdade, mas encontrou na verdade a amarga realidade. A utopia prometida era um falso espelho, e o preço foi alto, um cruel pesadelo.