Entre fogueiras e máscaras.
Quando junho desperta e a noite se acende,
O céu se enfeita, o coração entende:
É tempo de festa, de laços e dança,
De fogueira ardendo, de riso e esperança.
As ruas vestidas de cores vivazes,
Bandeirolas no vento, traçando os enlaces.
O cheiro da terra, do milho, da lenha,
Da roça, da vida que o São João desenha.
O milho estala na brasa quentinha,
Tem cheiro de canjica, quentão e farinha.
Tem bolo de fubá, pé de moleque,
Paçoca e cocada que adoçam a gente.
O mugido do gado, o cantar da rolinha,
O toque da sanfona que embala a festinha.
A zabumba ressoa, o triângulo avisa,
O forró se espalha na alma indecisa.
Na quadrilha ensaiada, há respeito e calor,
Cada passo ensina o valor do amor.
O noivo atrapalha, a noiva se encanta,
O padre improvisa, a festa levanta.
Tem grito de "Anarriê!" e "Olha a chuva!",
Depois "É mentira!", a plateia se anima.
Tem correio elegante e bilhete atento,
Tem moça corada, tem juras ao vento.
As crianças brincam de roda e fogueira,
Rodando as saias na dança faceira.
Tem pescaria, argola e touro mecânico,
O riso é solto, o encanto é mágico.
Tem fogos no céu pintando o infinito,
O povo se alegra, soltam-se os gritos.
O coração bate no ritmo da gente,
O São João é festa que vive na mente.
Aqui se celebra a fé verdadeira,
Com reza e promessa na luz da fogueira.
Tem Santo Antônio, São Pedro e São João,
Tem abraço sincero, tem palma na mão.
Mas há quem troque essa bela canção,
Por um outro batuque sem alma e razão.
Onde o brilho do corpo se torna disfarce,
E a dança se perde no ritmo da face.
Trocaram os passos por gestos sem norte,
O encanto da festa por gritos de sorte.
Lá, tudo é pressa, tudo é vaidade,
O riso é máscara, não felicidade.
Aqui, em junho, o amor faz morada,
A festa é raiz, é cultura sagrada.
Lá, tudo passa num breve lampejo,
Depois sobra o nada, o eco, o desejo.
Festa de São João, tua luz não se apaga,
Teu canto é eterno, tua essência não vaga.
Pois quem já sentiu teu calor, tua mão,
Sabe que és vida, és festa, és união.
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