quando o céu abrir
Chove... e é como se o mundo soluçasse comigo,
as gotas descendo lentas, feito lembranças do teu olhar.
O vento passa e leva o resto da minha voz,
como se quisesse te chamar lá onde o tempo não pode voltar.
O trovão geme dentro do peito,
e o relâmpago rasga o céu igual tua partida
um clarão, um fim, um vazio…
e depois, o silêncio da vida.
O rio corre, e nas águas eu te vejo dançar,
tuas mãos leves, teu riso que se perdeu nas margens da saudade.
Ah, se eu pudesse remar contra as horas,
voltaria ao instante em que foste eternidade.
O sol tenta nascer, mas se esconde atrás da montanha,
com medo de ver-me tão só, tão quebrado.
Até as flores fecharam suas pétalas
pra não ver o amor sendo sepultado.
A lua, coitada, assiste à minha confissão noturna,
pálida como minha esperança que se desfaz.
E as estrelas, cúmplices do impossível,
me ouvem dizer que ainda te amo e nada mais.
Ah, mulher que o tempo levou e a alma ficou esperando,
teu nome é uma tempestade que não passa…
Eu sigo amando-te como os poetas antigos,
com o coração em ruínas e a alma em brasa.
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