A Independência Esquecida: o 20 de Setembro que não Conservamos

O Brasil gosta de viver de símbolos, mas não de tradições. Celebramos o 7 de setembro como se fosse a data de nossa independência, quando, na verdade, não passou de um grito, uma cena simbólica às margens do Ipiranga. A verdadeira independência, a que teve força política, reconhecimento e legitimidade, aconteceu em 20 de setembro de 1822. E, no entanto, o povo não sabe — ou prefere não saber.

Esse esquecimento revela o quanto não somos um povo conservador. O conservador preserva a memória, valoriza a verdade histórica, mantém viva a tradição. Mas nós, brasileiros, preferimos o mito fácil à realidade complexa. Preferimos a pintura romântica de Pedro Américo ao documento oficial de Dom Pedro.

Se fôssemos conservadores de fato, a monarquia ainda estaria entre nós. Se fôssemos conservadores de fato, a família seria tratada como núcleo inquebrável da sociedade. Se fôssemos conservadores de fato, não deixaríamos nossa própria história ser trocada por versões simplificadas que cabem num livro didático de escola.

O 7 de setembro é o reflexo do nosso espírito: um grito sem continuidade, uma emoção sem raiz, um gesto sem tradição. E assim seguimos, comemorando o que nos contam, sem conservar o que realmente fomos. O povo vai às ruas envolto em bandeiras, mas não leva no coração a memória correta da sua independência.

O Brasil, no fundo, não é conservador. É um povo de improviso, de liberalismo radical nos costumes, de romantismo superficial na memória. Não preservamos nem a data da nossa liberdade — e, talvez por isso, não saibamos ainda o que significa ser verdadeiramente livres.

Adailson Pereira Sales

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