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Mostrando postagens de novembro, 2025

Poema- Canção da mata

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Por entre as veredas longas onde o vento se deita, ergue-se o dia lento, qual velho camponês curvado, e a terra, vermelha e viva, abre o peito ressequido para acolher o suor do homem que nela põe seu fado. Nas brenhas que o sol coroa, canta o sabiá sereno as folhas, de tão antigas, guardam segredos do tempo, e o rio, que nunca apressa, leva em suas águas mansas as dores de quem labuta e o amor de quem é atento. Eu, filho destes sertões, que o mato abraça e consome, carrego o peso da enxada como quem carrega o nome. Mas quando a tarde desmaia num tom de ouro e púrpura, meu peito se firma e canta — pois é em ti que a alma pulsa. Ó minha doce senhora, flor que Deus plantou na sombra, teu olhar é brisa leve sobre o rosto de quem sofre; e teu riso, fonte clara onde até a saudade dorme, é consolo para o homem que vive entre céu e os rochedos. Aqui, onde o chumbo das nuvens ameaça as madrugadas e o trovão, senhor antigo, açoita o rancho de barro, amo-te com força brava, tal qual o vento das m...

O avião das 09h:

O avião das nove riscou o céu do sertão, como se fosse um sonho escrito em luz. De cá, fiquei só de pé, no chão  olhando o sol nascer por trás da cruz. Leva no ventre um punhado de gente, cada um com seu rumo, sua fé, seu talvez. Uns fogem da fome, outros da mente, outros só buscam o que nunca se fez. Nunca entrei num avião confesso. O vento me basta, a terra me entende. Já viajei sem mapa e sem endereço, pelos caminhos que o tempo acende. São Paulo, dizem, é cidade que engole, de tanto brilho e tanta pressa. Mas o sertão, mesmo quando dói, consola é dor bonita, é luta e promessa. O avião das nove leva esperança, leva o amor de um povo inteiro. Lá vai o sonho, lá vai a mudança, lá vai o futuro num céu estrangeiro. A mulher na janela enxuga o rosto, com o mesmo pano que cobre o pão. E pensa será que ele chega disposto? Ou volta cansado da ilusão? O menino corre e aponta o dedo Olha, mãe, o passarão de ferro! E o pai responde, num tom de segredo Quem sabe um dia, filho, eu espero. O ...

quando o céu abrir

Chove... e é como se o mundo soluçasse comigo, as gotas descendo lentas, feito lembranças do teu olhar. O vento passa e leva o resto da minha voz, como se quisesse te chamar lá onde o tempo não pode voltar. O trovão geme dentro do peito, e o relâmpago rasga o céu igual tua partida  um clarão, um fim, um vazio… e depois, o silêncio da vida. O rio corre, e nas águas eu te vejo dançar, tuas mãos leves, teu riso que se perdeu nas margens da saudade. Ah, se eu pudesse remar contra as horas, voltaria ao instante em que foste eternidade. O sol tenta nascer, mas se esconde atrás da montanha, com medo de ver-me tão só, tão quebrado. Até as flores fecharam suas pétalas pra não ver o amor sendo sepultado. A lua, coitada, assiste à minha confissão noturna, pálida como minha esperança que se desfaz. E as estrelas, cúmplices do impossível, me ouvem dizer que ainda te amo e nada mais. Ah, mulher que o tempo levou e a alma ficou esperando, teu nome é uma tempestade que não passa… Eu sigo amando-te...
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